“ O indivíduo que quer ter uma resposta para o problema do Mal como ele se apresenta hoje em dia, precisa, acima de tudo de autoconhecimento; quer dizer, do conhecimento mais absoluto possível da sua própria totalidade. Ele deve conhecer profundamente quanto bem ele pode fazer e que crimes é capaz, e deve ficar alerta para não considerar uma coisa como real e a outra como ilusão. Ambas são elementos dentro da sua natureza e ambas devem vir à luz nele, caso queira- como deveria- viver sem se enganar ou se iludir.” C.G.Jung
Destacamos como ponto central do distúrbio psicológico em questão a pouca ou quase nula capacidade do autoconhecimento.
Nossa cultura e sociedade dispõem de 20 anos aplicados no processo de educação, no qual se aprende de tudo menos sobre coisas reais e que nos interessam para a real sobrevivência e realização.
Aprender sobre nós. E não se pode mais negar a importância deste conhecimento e seus desdobramentos ao longo de nossas vidas.
Fato que nos deixa alienados de nossos próprios processos e sem recursos para enfrentar situações de profundo desequilíbrio total como é o caso das doenças e distúrbios em geral, no caso a Bulimia.
A Mãe“Sempre evitando a dor” emocional e física.
Observa-se a figura materna desprovida de vínculos afetivos reais. Envolta no próprio casulo, feito de medos, abandonos e culpa não pode oferecer às filhas mais do que ela própria de dá.
Críticas, maus tratos, e cobranças constantes são a tônica de suas atitudes e práticas cotidianas. Tudo o que pode oferecer, e certamente o faz dando seu melhor, é aquilo que viveu, experimentou e conhece. Assim de geração em geração perpetua-se o sentido negativo de nossas percepções equivocadas. Para curar o que pensamos estar doente provocamos ainda mais dor. Como resultado da pressão, que é sentida de formas diferentes por membros de um mesmo grupo, verificou reações distintas como manifestação e intensidade.
Sandra foge e reproduz a vida materna.
Bruna seguramente a mais sensível e menos preparada cria uma realidade paralela para viver. Um mundo onde “tudo pode”, pois tudo é nada. Inclusive ela.
Regina se enfronha em pesquisas sobre o assunto. É a única que busca no conhecimento os recursos para uma forma nova de encarar os desafios e as situações. Usa de todos os seus recursos afetivos e intelectuais para apoiar a si mesma e a família. Embora não saiba muito sobre o si mesma e conseqüentemente sobre sua família e parceiras mulheres é o elo de libertação. Ela pode ampliar seus conhecimentos, enveredar para o autoconhecimento e funcionar como “grilo falante” nas novas descobertas; medicina chinesa, espiritualidade, harmonia através da dança, yoga etc.
Um outro aspecto de teor cultural será também importante reconhecer.
Estamos em uma sociedade de transição da cultura paternalista para uma nova cultura, que sabe-se ansiar pela fraternidade, diversidade e sustentabilidade em todos os seus aspectos.
O paternalismo precisa colocar a mulher como “produto de 2ª categoria”. Ou seja, para exercer a supremacia do gênero masculino o feminino “tem que” comprovadamente ser inferior. Assim de desenrolou toda nossa história e ainda hoje sobrevive em todo planeta. Sem auto-estima, vista como bibelô; em nossos dias este requisito eleva-se a potência jamais vista, (a aparência é tudo), e cobrada não somente pela mãe, mas também por toda esta sociedade hedonista e egoíca.
Assim, muitas vezes são criaturas que experienciam quando crianças traumas e abusos que deixam marcas indeléveis e que se perpetuam devido aos poucos cuidados familiares e interesse das instituições.
Apego á negação, processo do inconsciente que sabota nossos desejos conscientes.
O recurso básico é reconhecer que o desequilíbrio pode ser organizado desde que exista o desejo real de enfrentar e transformar a si e aquilo que esta “doendo”. Deixar o passado, passado.
Este é outro ponto desafiador, pois se sabe que encarar o próprio mal requer Coragem. Coisa que nós não somos estimuladas e nem orientada para fazer; as coisas que nos fazem realmente felizes. Ser nós mesmas.
Portanto a falta de acolhimento e referências tanto em casa como fora, deixa pessoas que precisam de mais atenção e cuidado a mercê das “ondas” criadas pelos seus pares e sociedade ex; estimular e exigir padrões de beleza a qualquer custo. Em geral sempre indo na direção da destruição como é todo o caráter valorizado e reconhecido pela lei do mais forte; belo, inteligente, esperto etc.
É possível recuperar o equilíbrio? O que é necessário para curar o desequilíbrio?
Por Vivi Dall LostoFacilitadora da Jornada da Expansão
http://vividallosto.blogspot.com/.